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sábado, 22 de janeiro de 2011

Cuidado. Impróprio para menores de 18 anos

Um papo com Magal
Impróprio para menores de 18 anos.

Era uma sexta feira final de tarde, estava cansado e descendo as escadarias da Universidade onde tinha ido entregar na Biblioteca uma dúzia de livros que havia retirado para ajudar na pesquisa do Doutorado. Entreguei os livros e percebi que não tinha aproveitado quase nada para composição do trabalho, mas anotei o nome de todos os autores, como manda o figurino acadêmico, para lançar como obras pesquisadas na parte de Bibliografia Geral.
 É interessante, como são as coisas, mal passei os olhos nos livros, abri uma ou outra página e agora vou lançá-los na tal bibliografia geral, pois aprendi que,  o que conta é o número de citações que você faz, afinal poucas são as pessoas que vão ler mesmo. Confesso, estava meio triste com o trabalho, com a vida, preocupado com as contas, sonhos não realizados e muito mais.
No final da escadaria havia uma mesa com diversos panfletos promocionais e de divulgação de livros, seminários, palestras, congressos e havia um com promoções de viagens para as férias de verão, que já se aproximava. Peguei sem nenhuma pretensão, desci mais dois degraus e encontrei Magal. 
Uma pessoa impar, sentada no segundo degrau da grande escadaria do suntuoso prédio da Universidade, com as pernas cruzadas e reclinada sobre o terceiro degrau, com um olhar longe, e no seu semblante pude perceber certa angústia.
Como já havia cruzado com ela vagando várias vezes pelo pátio da Universidade,  cumprimentei.
- Ola, boa tarde! Contemplando o final de tarde e pensando no que fazer neste final de semana? Perguntei assim, de modo despretensioso, esperando receber um simples “sim” como resposta. E sendo assim, poderia me dirigir até o meu carro ir para casa, pois havia sido educado e pronto.
No lugar do simples “sim” esperado, ouvi um pedido. 
- O senhor pode sentar aqui um pouco?
- Claro, respondi com um leve e sem jeito sorriso no rosto. Procurei um jeito de ajeitar a bolsa, alguns livros que levava e me sentei no terceiro degrau. E perguntei;
- E ai? O que deseja? Como posso  ajudar?
Em nada, respondeu com a voz amargurada.  Estou querendo desabafar um pouco, pode ouvir?
Respondi mais sem jeito ainda que sim. E perguntei sobre o que queria falar.
Com uma pergunta direta, ela começou, aqui é uma universidade não é?
 Respondi afirmativamente com a cabeça.
 O que tanto vocês fazem ai? Outra pergunta direta e seca saiu de seus lábios carnudos e vermelhos.
Não respondi de pronto, precisava formular uma resposta a altura. Afinal, ali era uma Universidade, casa de formadores de opiniões, cientistas, etc...fiquei pensando em tantos adjetivos que demorei um pouco para responder.
 Olhei diretamente para ela, que fazia uma leitura detalhada do meu corpo e percebeu que fiquei sem jeito.
De forma direta e bem elaborada respondi o que fazíamos ali.
Ela olhou, riu, virou o rosto para outro lado e perguntou novamente só isto?
 Acredito que fiquei vermelho, e sem jeito mudei a maneira como estava sentado, buscando uma posição mais confortável, afinal já estava com um desconforto e tanto com  as perguntas de Magal.
 Disse em tom mais sério. Você acha só? Buscar o saber, o conhecimento, formar pensadores, cientistas, profissionais que irão ocupar cargos públicos de grande importância? Você me diz só?
Bem, respondeu ela, descruzando e cruzando novamente as pernas e ajeitando a pequena saia jeans que vestia. Esperava mais. Pois não vejo nada disso acontecendo.
Como assim, perguntei? Nada acontecendo?
 Você me disse que uma universidade forma pensadores, até ai tudo bem, pois transei com um cara daí na semana passada, no final do corredor da Biblioteca, ele me dizia ofegante, ah! O livro de Kant não, meu Deus a coleção de Marx vai cair, meio perdida, não via nenhum destes caras por ali, então deduzi que deveriam ser os pensadores.
Você me disse que formam profissionais que irão ocupar cargos públicos?
É Verdade, afirmei com voz firme.
  Este é o meu problema, disse ela. Terei que procurar um nicho de mercado para trabalhar. Olhei espantando e perguntei. Procurar outro nicho para trabalhar? Por quê?
Nem só de idéias vive o corpo Doutor, disse ela, com um sorriso safado no rosto.
Estourou uma bola de chichlet e perguntou! O Romário fez universidade?
 O Tiririca cursou qual universidade?
  Vamos deixar este papo para lá. Estou triste Doutor, falou com a voz mais melancólica e assumiu um jeito sério.
 Vim para a capital a procura de trabalho, um jeito de ganhar a vida, poder comprar as minhas coisas sem ficar dependendo da boa vontade dos outros.
 Onde morava não tinha muitas condições de trabalho.  Lá não tem grandes empresas, ou se abre um salão de beleza, uma lojinha de 1,99, uma loja de roupas, ou arruma um casamento,  coisas assim, ou se ganha a vida abrindo um puteiro.
Perguntei você não se enquadrou em nenhum destes perfis? Passou-me um mal estar por usar uma linguagem de pós-graduação, mas deixei a pergunta da forma original.
 Ela me olhou friamente e disse, enquadrar, até acho que me enquadraria, poderia abrir um salão de beleza.
 Perguntei com um leve sorriso por que não abriu? Magal respondeu tão naturalmente, que meus livros caíram sobre os degraus. Não deu tempo Doutor, antes de ajuntar o dinheiro, ou achar uma sócia e me perdi. 
Sem entender a resposta, perguntei como assim se perdeu?
Na minha cidade é assim, moça quando não é mais virgem não arruma mais casamento. Entendeu?
 Eu perguntei o que têm haver uma coisa a ver com a outra?
  Com um sotaque meio escondido do nordeste, ela riu, e disse deixa para lá.
 Então eu  fui convidada para sair de casa, o meu pai fez o convite. Resolvi tentar a sorte aqui em Brasília. Cheguei com um pé na frente e outro atrás, tinha um pouco do dinheiro que ganhei do vereador Belém, procurei uma pensão e hoje moro com mais duas amigas em um espaço aqui no Plano. Odeio falar Kit, acho mais interessante Loft.
Disse que bom que encontrou apoio no Vereador Belém que lhe deu o dinheiro para o seu recomeço.
 Bom que nada, respondeu ela, por tudo que fazia para ele, era para ser muito mais.
Disse ela, com um tom de raiva e magoa.
Era rico comerciante, fazendeiro, já tinha sido prefeito e na época era vereador pela 3ª. Vez.  Ele poderia ter me dado mais, muito mais.
Por que, perguntei, por quanto tempo trabalhou para ele? Trabalhou na prefeitura ou em uma das lojas que ele tinha?  Perguntei intrigado.
Nada disso, prestava serviço “prestacional pessoal”, você sabe como é?
Intrigado com o novo termo, que alçava do meu universo acadêmico, me senti sem jeito e perguntei o que significava o tal serviço “ prestacional pessoal”.
Na bucha, direto e na lata Magal olhou e respondeu. Eu fazia tudo o que velho queria na cama.
 Quando eu tinha  12 anos, ele foi até a casa de meus pais pedir voto e o meu pai reuniu os 13 filhos na sala para ouvir o Coronel Belém. E neste dia, ele me olhava com um jeito de que queria fazer bobagens comigo.
Bobagens, perguntei? De que tipo?
 Bobagens como as  que meu pai fazia com a minha mãe toda sexta feira no quarto a noite, e a gente via do buraco da janela.
 E como as que eu vi o padre fazendo com a minha irmã Terezinha dentro da casinha da escola.
 Daí em diante, passei a querer fazer bobagens, e comecei com o Tião, um homem que trabalhou na fazenda do lado da casa onde morava. Nem um dedo de prosa tinha com ele, mas chegava e fazia a bobagem e ia para casa.
Depois da vista de Dr. Belém, certo dia, no caminho da escola estava sozinha quando ele parou sua camionete e ofereceu uma carona. Já ia pulando na carroceria, e ele gritou ai não, moça bonita vem aqui no banco da frente.
Sentei no banco, coloquei os cadernos sujos sobre o colo, ajeitei a saia e a blusa e me senti uma rainha. Ele começou a andar devagar e foi colocando suas mãos em meu corpo e prometendo um monte de coisas, me deu dinheiro para o lanche e pediu para que pegasse no seu ... indicando com a mão o local desejado.
Eu perguntei o seu? Que local?
 Magal sem mudar de posição e alterar a expressão do seu rosto colocou sua mão sobre o meu pênis e disse, é  ai.
Neste momento já não sabia onde estava a bolsa de tão assustando que estava. E assustado, sem jeito, ouvi ainda ela falar, tem promessa de bom tamanho.
Mudando de posição e me afastando do contato das mãos de Magal, perguntei o que ela tinha feito diante de um absurdo pedido como este. E na simplicidade, que é sua característica, respondeu que colocou a mão e ficou massageando durante todo o trajeto até a escola.
 Pois já sabia que era parte das bobagens que mãe e o seu pai faziam, que o padre fazia com sua irmã e que ela também fazia com o Tião.
E assim, ela continuou a relatar.
 Fui crescendo, trabalhando em casa para ajudar meus pais, olhava meus irmãos mais novos. Ia todos os dias na escola municipal, quase sempre ganhava carona do Sr. Belém, e todos me diziam que eu tinha muita sorte, não ir a pé e sob o sol escaldante  e  nas quintas feiras ia ver o Tião.
Sabe, tudo ia bem, até completar 17 anos, passei com êxito em todas as disciplinas de todas as séries do ensino fundamental e médio.
 Eu disse por que tudo ia bem? O que aconteceu?
 Ai, minha irmã arrumou um filho do padre e meu pai a colocou para fora de casa, ficou falada, o padre foi embora,  foi um escândalo na cidade. E o Dr. Belém ficou doente, não podia mais dirigir e nem fazer bagunça, pois nada fazia o bicho subir.
A Terezinha foi para a casa de nossa avó, e por lá teve o filho. Deu o nome de Divino Aparecido. E esta por lá até hoje. Moça velha e sem futuro. Costura para fora e faz bolos e biscoitos.
Eu peguei as minhas coisas coloquei na sacola e resolvi sair de casa. Na saída, indo para o ponto do ônibus passei frente à escola que por muitos anos freqüentei e lembrei os dias felizes que ali tinha vivido.
 Lembrei do Padre e suas provas difíceis de fazer, mas sempre tirava 10, pois eu o tinha pegado fazendo bagunça com a minha irmã na casinha da escola.
 Foi como um filme ver a professora de Português, andar para um lado a outro da sala com seu incansável ditado, que valia nota. Era a mulher do Sr. Belém, e com a ajuda dele, que refazia meu ditado em casa antes que ela o corrigisse, também passava somente com a nota máxima.
Fechei os olhos e entrei no ônibus, e chegando aqui, fui procurar emprego em diversos lugares, mas não tinha muita experiência, sabia somente ser babá. Mas para os cargos existentes precisava de experiência em carteira, e eu não tinha.
 Um dia, na porta da pensão, um Senhor jeitoso, estava em pé, com as mãos no bolso, me olhou e encarou. E ai lembrei-me do Tião e me deu uma saudade danada, mas não podia ser boba como a minha irmã Terezinha, tinha que ganhar uns trocados aqui. E a cara do homem indicava que tinha dinheiro. E o dinheiro que eu tinha em caixa já estava quase em seu final. E o encarei, olhei fixamente para ele, mexi a língua e fugi com o olhar, tinha aprendido isto em um filme que havia assistido no vídeo na casa do Sr. Belém, quando sua esposa ficou um tempo fora. Este foi o golpe final.
Fizemos a bagunça, custou a concluir, suei frio para fazer o bicho comer.
 Nessa hora lembrava do Tião, não tinha meio termo. Era pegar, subir, entrar, mexer e sair. Mas ficamos assim, bagunçando alguns dias da semana. Ele também era novo em Brasília, não tinha família então fazíamos companhia um ao outro.
O melhor foi que aprendi que os homens têm uma mania estranha, colocam as mãos no bolso e ficando mexendo. Aprendi que, pode ser que têm dinheiro e estão procurando, ou está ajeitando o primoroso babão para o lado para fazer a devida propaganda.
 Interrompi o relato tranqüilo e sem meios termos de Magal e indaguei sobre o primoroso babão, o que seria?
Ela novamente me fitou com um olhar de quem viu Exu na encruzilhada, se levantou, eu também a acompanhei e me coloquei de pé, ela se aproximou de mim colocou sua dentro da minha calça pegou no meu pênis e colocou para o lado, e me disse baixinho,,,ai esta o babão.
Assustado, achando que todos na Universidade estavam vendo aquela cena tremia muito e sem jeito retirei sua mão e disse. Bem, você já está bem melhor, deste o momento que a vi, onde sentia certa tristeza no seu olhar, agora preciso ir embora.
 Mas antes, quero te dizer uma coisa Magal, por que não volta a estudar fazer uma faculdade, um curso de inglês... Assim terá um futuro melhor.
Direta como sempre, olhou secamente para mim e disse, sou do interior, mas não sou burra, estudar para que?
Fazer faculdade particular é o mesmo que brincar de estudar, no final você está comprando um diploma e aprendendo quase nada. E o que sei já é  o bastante.
 Se você falar para estudar na Universidade pública eu te respondo que não tenho condições de ingresso, considerando as maneiras que usei para cursar e terminar o ensino médio.
 E riu, com um ar de deboche... Lembra do Romário, do Tiririca, do Lula e de muitos outros...
 Aqui é a terra das grandes oportunidades e das grandes licitações, preciso apenas encontrar outro Dr. Belém, que por aqui há muitos.
Ela virou as costas e foi andando rumo ao portão.
 De pé estava e comecei a procurar a bolsa, os livros que tinha perdido durantes as incursões da mão de Magal.
 Parado como um poste pensei em tudo que Magal tinha dito;  olhei para os livros, pensei comigo, será que vale a pena uma vida como a dela ou como a minha?
 Sem obter as respostas, me peguei com uma das mãos no bolso. Procurando dinheiro? Isto não, pois estava na carteira dentro da bolsa, então procurando estava o primoroso babão, que jaz falecido estava.
 

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