Total de visualizações de página

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Um Ciclo sem Fim

Um ciclo em sem fim

O que mais inquieta a nós seres humanos neste novo século são os assustadores índices de violência. Violência em todos os sentidos, em todos os lugares.
O que levaria o homem dito civilizado a cometer tantos atos de atrocidades, gerando uma tabela de horrores estatísticos. 
Podemos começar com a violência doméstica e seus inúmeros elos. Por que praticamos atos típicos de violência como chutar, socar, bater, queimar, sufocar e tantos outros contra as pessoas que dizemos amar, os membros de nossa família, do circulo familiar tão próximo. Uma pergunta ronda a todos, será que homem tem esta capacidade inata de maltratar os seus iguais? Será que trazemos isto como uma marca de nascimento? Será que a situação nos leva tal ação? Ou será que são elos de muitos nós que nos leva a uma atitude considerada de natureza animal.
Qual será a parcela de culpa de cada parte do sistema social em que vivemos e ajudamos construir?
  Inicialmente, temos a crescente onda de discriminação no seio das religiões, uma disputa por um Deus maior e mais poderoso  cega as pessoas e as levam a praticar atos de uma barbaridade sem limites, tudo em nome de um Deus. Que Deus será este?
Temos a situação educacional segmentada, atrelada ao poder aquisitivo e aos interesses de alguns abutres que buscam o lucro a qualquer custo. Uma educação que liberta, ensina os processos de análise e compreensão de fórmulas para poucos a um preço abusivo, são as elites pensantes e outra que repete uma história falida, de pessoas sem condições dignas de aprendizagem. Pois, muitas estão com fome, não possuem um teto, não tem uma estrutura de uma família e são jogadas em instituições sem as mínimas condições de aprendizagem. Onde meia dúzia de professores, mal remunerados tentam fazer a diferença. Será que este não é, e não pode ser considerado um dos elos da violência que levamos para casa.
E assim, aparece o mais tenebroso dos elos, o mercado de trabalho, baseado nas antigas leis humanas, que dizem: ganha mais quem gasta menos. E assim,  temos um mercado estruturado em cargos para os eleitos e para os aflitos. Os eleitos tem seus direitos garantidos pois geralmente são os ofertadores de trabalho.
 Os aflitos não têm outra coisa a oferecer se não a suas parcas qualificações, sabe Deus obtida como e sob que condições. E ai está um cenário propício para ser um hospedeiro silencioso dos indicadores de violência, e em especial a violência doméstica.
Sob o lema do Trabalho, milhares de homens e mulheres se submetem as mais diversas formas de atividades de labor, em milhares de empresas diferentes. Umas que agem de acordo com as normas e convenções que as Leis estabelecem, oferecendo salários dignos, descanso remunerado, benefícios, promoções etc. Outras, ainda centradas nas práticas canibais que tudo omitem ou tudo renegam. Oferecendo salários abaixo da média de mercado, condições insalubres de trabalho, ausência de visão de futuro para seus trabalhadores, chefes desqualificados para o processo de liderança. Além de expediente acima do permitido pela lei. Tudo em nome do progresso, do trabalho, do ter por ter.
 Estes homens e mulheres submetidos a tais condições de vida, não podemos esquecer que possuem seus sonhos, seus desejos, mais acima de tudo tem uma realidade a enfrentar.
 E o que estes homens e mulheres levam de voltam para suas casas no final de seus expedientes onde foram muitas vezes humilhados e massacrados. No seu retorno, longe do conforto do ar condicionado dos eleitos, enfrentam um sistema de transporte público que os assemelha aos piores dos piores animais. Sem respeito, sem indicativo que os minguados reais descontados em suas folhas de pagamento foram em parte para o Governo para mitigar ou melhorar as condições dos serviços de transporte. Em meio a uma guerra chegam em casa. E o que em encontram?
Sem falar que um dos elos da violência se interage com uma necessidade inerente a qualquer um dos humanos deste planeta. O direito a cuidar da sua saúde, da saúde dos que amam. E mais uma vez, o que o país  tem para oferecer? Um sistema corrupto de saúde, falido, onde os seus usuários são expostos a todos os tipos de mazelas e humilhações. E volta a pergunta, o que fazer?
 Dá para ignorar que mesmo não sendo por natureza violentos as diversas situações a que somos submetidos todos os dias nos levam a um estado de selvageria. Aliado a um importante fato, o descrétido no sistema judiciário.
 Já está provado, ou se muda ou muda o sistema judiciário, que agoniza implorando por reformas, novas medidas, novas leis. Mas novamente um dos subsistemas do  elo, nos leva a perguntar. A quem tanto interessa estas reformas?
É interessante perceber que uma parcela da população e alguns órgãos do Estado se esforçam na melhoria dos índices mostrados nas nossas estatísticas sobre a violência doméstica, a violência urbana, a violência de gênero  seja lá, qual tipo de violência for.
Mas impera uma verdade cruel no cenário que nos criamos, pois acreditamos e alimentamos um sistema que diz, a caridade é praticada é em épocas especiais, bem vindo seja o Natal, etc.
O que mais vende em termos de interesses da população são mazelas, as tragédias, bem vinda as notícias tão bem veiculadas pelas emissoras de TV sobre as tragédias santas que nos acometem, pois assim, somos solidários.  Esquecemos da simplicidade das leis da física, do imenso poder dos elos que compõem uma corrente.
Chega de tentar ver as coisas como independentes. É bem mais confortável eu sei, mas não é a saída. Basta de hipocrisia. Mas falar nisto aqui é chover no molhado como dizem, mas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário